Camille ataca as mulheres no livro Os Pássaros
Esta é uma das críticas de Os Pássaros publicadas em 1999. Nem menciona o fato de ser tradução, o que me faz deduzir que seja uma boa tradução, pois o normal na imprensa brasileira é só mencionar que o livro é traduzido quando a tradução está ruim; quando a tradução é boa, induzem o público a pensar que se trata de livro originalmente escrito em português. Será que Freud explica?
Jornal do Commercio
Recife - 23.01.99
Domingo
SCHNEIDER CARPEGIANNI
Não há `Mozart mulher' porque não há `Jack, o estripador, mulher'"; "As mulheres são rameiras"; "Don Juan e Beach Boys combinam juventude, androginia, arejamento e rapidez"; "Quem lê Michel Foucaut tem o seu cérebro transformado em pudim"; "o futuro da humanidade está no bissexualismo" "A sociedade é nossa proteção artificial em relação à natureza". Com um conjunto de frases tão controvertidas quanto estas, a pensadora americana Camille Paglia ganhou fama em todo o mundo desde o início da década de 90, quando publicou Personas Sexuais, um divertido compêndio sobre a cultura ocidental, no qual começa a tentar criar o casamento entre a arte pop e a academia.
Tudo bem que muitos dos seus argumentos ditos `polêmicos' têm a mesma força e coerência que há em um slogan de propaganda de desodorante, mas o atual mundo politicamente correto precisa de pessoas como ela. O último alvo da bendita língua da escritora é o diretor britânico Alfred Hitchcock, mais especificamente o seu filme Os Pássaros, tema do seu livro homônimo (editora Rocco, preço médio R$ 21,50).
Ano passado, quando foi comemorado o 35º aniversário do filme, o Arquivo Filmográfico Nacional, uma divisão do British Film Institute, entregou a Camille Paglia a tarefa de elaborar um ensaio sobre a obra para ser transformado em livro. Os Pássaros, vale ressaltar, não é o único filme que vai passar por esse processo. O arquivo selecionou uma lista dos 360 filmes mais importantes da história do cinema. A partir da compilação, chamou acadêmicos, cineastas, romancistas e historiadores para escrever sobre as obras. Outros filmes selecionados foram O Sétimo Selo, Cantando na Chuva e o brasileiro Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha.
CLÁSSICO DISSECADO - A tarefa de analisar Os Pássaros agradou Camille de cara, pois ela sempre fez questão de afirmar que esse é o seu trabalho preferido do cineasta - a importância da filmografia de Hitchcock, inclusive, foi bastante citada em Personas Sexuais. Para demonstrar ainda mais a sua paixão pela película, em determinado momento, a pensadora chega a declarar que se sentiu "esmagada", na sua adolescência, quando o viu pela primeira vez na tela. Além disso, a abordagem cinematográfica faz parte do projeto da escritora de cada vez mais trabalhar com a análise da cultura pop, que ela considera a única grande forma de arte que foi produzida durante o decorrer do século XX.
Os leitores que têm uma certa aversão à escrita de Camille Paglia, devido a verdadeira avalanche de idéias inconclusas existentes em seus textos, vão encontrar aqui a pensadora bem mais contida e coerente. Logicamente, ela não largou de vez o costume de jogar pensamentos sem chegar a uma conclusão final. Só que essa sua característica está bem mais contida do que nos outros livros, conseguindo revelar os mistérios que envolvem uma das maiores obras do cineasta inglês. Com autoridade de uma acadêmica que sempre deixou bem claro que deve sua formação à cultura popular, Camille Paglia provou em sua análise de Hitchcock que consegue ser tão boa em livro quanto em talk shows.
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Os Pássaros
CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
| Puglia, Camille, 1947- P153p Os de . — (Artemfdia) 1. Os CDD — 791.4372 99-1462 CDU — 791.43 |
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